

Na esquina molhada da cidade
O neon se dissolve nas poças
Só o amargor do café frio
Fica guardado no peito
Plataforma do metrô, antes do último trem
Só a multidão apressa-se
Com o dedo percorro fotos antigas
E não consigo tocar o seu sorriso
Cada vez que o vento traz lembranças
A palavra “adeus” não dita dói
O amor escorre como areia
Quanto mais tento agarrar, mais meus dedos secam
Através do vidro do telefone público
Não há número que leve ao passado
Se eu pudesse dar rewind
Voltar antes do amanhecer daquela noite
Aquela palavra que eu deveria dizer
Antes de um “desculpa”, eu abraçaria
Como uma fita cassete
O coração sozinho não dá para rebobinar
Na esquina lotada, o sinal vira azul
O ombro de alguém me empurra
Só o hábito de procurar sua sombra
Ainda parece respirar
O piscar do sinal, a pausa curta
Meus desejos sempre chegam atrasados
O amor escorre como areia
O calor na palma da mão esfria
Se o tempo fosse gentil
Ele me daria a segunda frase
Se eu pudesse dar rewind
Aceitaria suas lágrimas
Eu que virei as costas fingindo força
Quero desfazer aquele eu
O ruído branco da fita cassete
Ainda toca no meu peito esta noite
Telefone público, o peso do fone
Silêncio que não consigo largar
“O adeus” não era palavra
Era minha fuga
Se eu pudesse dar rewind
No cheiro da cidade após a chuva
Só chamando seu nome
O mundo teria sido um pouco salvo?
O amor escorre como areia
Cada vez que tento recolher, mais feridas aparecem
Mesmo assim, para soar bonito
Esta noite eu transformo em canção
Plataforma do metrô, luzes oscilam
As fotos antigas perdem o calor
Na cidade em que o vento leva lembranças
Só eu fico parado
- Lyricist
Tera Kira
- Composer
Tera Kira
- Producer
Tera Kira
- Vocals
Tera Kira

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